SHUFFLE – BRIGA DAS BOAS.

As férias estão chegando e o último fim de semana de junho é também uma das grandes brigas do ano nos cinemas brasileiros. Será que Jean Charles tem condições de derrotar o megalomaníaco Transformers – A Vingança dos Derrotados? E as primeiras exibições de A Era do Gelo 3 em 3D chegam a abalar os robôs gigantes de Michael Bay?

Ao contrário da indústria cinematográfica americana, a distribuição de filmes aqui no Brasil é um pouco mais maleável – para não dizer confusa em algumas situações. Por exemplo: Selton Mello está no topo das bilheterias no momento com A Mulher Invisível e já retorna às telonas, dividindo público e, claro, a própria mídia, que não pode repetir o personagem do ator em um período tão curto de tempo. Mas aí está Selton, em outro grande papel, tentando tirar um pouco de espectadores de sua comédia com Luana Piovani para uma comédia dramática baseada na vida do brasileiro morto pela polícia inglesa em 2005. Por sorte, o longa é bem executado e interpretado (destaque para Luis Miranda, que vai papar todos os prêmios de coadjuvante nos próximos meses, como o primo de Jean Charles). O diretor Henrique Goldman optou por seguir uma linha de pseudo-documentário (“Bem Ken Loach”, como me lembrou Selton em entrevista exclusiva) e só perde o controle de leve, ao exagerar na trilha sonora “mamãe-quero-ver-todo-mundo-chorar.” Optou por não submergir nos processos contra a polícia, mas não foi covarde como Última Parada: 174.

Mas competir contra Megan Fox e robôs gigantes é complicado – mesmo na atual situação do cinema nacional e com o tema da injustiça contra um brasileiro confundido por um terrorista. Transformers – A Vingança dos Derrotados potencializa tudo que foi mostrado no primeiro capítulo da franquia em 2007: as explosões, os efeitos especiais perfeitos, os inúmeros robôs, as manias de Michael Bay, Megan Fox, a ação desenfreada, o som alto, as sequências vertiginosas e os erros de roteiro. Transformers não é um filme para se assistir, acho. É um filme para se experimentar, tipo A Paixão de Cristo. É tanto barulho e efeitos que você sai exausto. Mas é um longa de ação divertido até dizer basta. Não é todo ano que temos um Cavaleiro das Trevas.

A Era do Gelo 3 chega antes em 3D. Não custa lembrar que a franquia é a mais poderosa da América Latina em termos de animação. Por aqui, não perde para nenhuma outra. E o terceiro filme ainda vem com o bom 3D e um novo personagem hilário: Buck, dublado em inglês por Simon Pegg (Todo Mundo Quase Morto). Vale a pena agüentar a criançada só para ver a doninha meio Indiana Jones encontra Apocalypse Now. E não duvide da força de Scrat e Sid…

Rian Johnson

Cara, Rian Johnson não é o melhor diretor do mundo (talvez um dia). Nem o mais famoso. Mas é o mais estiloso que existe hoje em dia. Seu primeiro filme, inédito nos cinemas nacionais, e disponível apenas em DVD (sob o nome de A Ponta de um Crime) é uma obra-prima que mistura Shakespeare e cinema noir. Já Os Irmãos Bloom, previsto para o segundo semestre por aqui, é uma engenharia narrativa sobre dois irmãos (Adrien Brody e Mark Ruffalo) que crescem praticando golpes e encontram uma milionária tediosa (Rachel Weisz) para praticar um último golpe, mas nada é o que parece ser.

O retorno às raízes de Sam Raimi

Arrasta-Me Para o Inferno é engraçado e aterrorizante. Somente Sam Raimi consegue fazer isso. E ainda rola uma metáfora afirmando que a trama é sobre uma garota com problemas de peso. Faz sentido.

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