DC/A.C. – BATMAN, PARTE 2

Recapitulando o que postei aqui semana passada: comecei a falar sobre as adaptações para televisão e cinema dos quadrinhos da DC Comics, e a princípio só falei dos seriados do Batman, e hoje, vou falar dos filmes.

Claro que depois de ver aqueles acúmulos de tosqueira você até poderia sentir-se calejado, “O que pode vir de pior do que os três antigos seriados do Batman?” “Nada!”… Bem, eu não teria tanta certeza (“Wuhahahahahahahaha” – isso foi uma risada malévola).

batman_1989_1Em 1989 – quase 20 anos depois do cancelamento da série cômica do Batman – a Warner (detentora dos direitos da DC Comics) queria ressuscitar o personagem nas telonas; chamou o diretor Tim Burton (já famoso por dirigir o filme “Beetlejuice” – “Os Fantasmas se Divertem”, no Brasil – e que futuramente seria reconhecido pelos “O Fantástico Mundo de Jack” e “Edward Mãos-de-Tesoura”) para dar novamente vida ao Homem Morcego, iniciando assim a “Era Burton” nas adaptações dos filmes do Batman.

Burton trouxe para as telas o tom gótico, violento e obscuro que muitos fãs dos quadrinhos do Cavaleiro das Trevas queriam ver (ainda mais aqueles que nutriam um ódio mortal das antigas adaptações). E olha, tenho que falar uma coisa, antes dos atuais filmes dirigidos por Christopher Nolan, eu achava “Batman: O Filme” a melhor adaptação do Morcegão, mas como sempre falo, meu gosto não é padrão para porcaria nenhuma (lembra no post passado quando disse que gostava da série de 1966?) e mesmo sendo um p#%@ filme o longa de 1989 tem seus deslizes:batman_1989

O primeiro é a contratação de Michael Keaton no papel principal. Ok, você deve estar perguntando “Mas como assim deslize? O cara é um bom ator”. Sim realmente, é um bom ator baixinho, magrelo, com cara de nerd bocó, que não tem absolutamente nada a ver com o Bruce Wayne. Lembro até hoje da gargalhada que dei em uma das partes do filme (logo no começo) em que, nada convincente, ele fala “I’m Batman”. Beleza, já que o cara está dizendo, quem sou eu pra descordar, né?.

Um adendo: essa frase, “I’m Batman”, é clássica! Em todos (eu disse TODOS!) os filmes do Morcegão o protagonista fala isso. Como se vestir-se de morcego gigante não fosse o suficiente (e o óbvio) para provar quem ele é, nosso herói ainda tinha que lembrar a todos dizendo: “E-U-S-O-U-O-B-A-T-M-A-N!!!”. Ponto para os criativos roteiristas.

Voltando ao ano de 1989, outro ponto negativo (porém compreensível) é do uniforme do Homem “Robocop” Morcego. Entendo que Tim Burton quis dar um tom realista para o filme e pensou que o herói não poderia levar tiro, pular de edifícios e o caramba-a-quatro usando colante. Beleza, ele tinha de usar uma armadura, então vamos colocá-lo numa roupa de borracha, com uns músculos sobressalente, tão rígida, mais tão rígida que o ator nem vai conseguir mexer o pescoço. E foi isso que ele fez. Para você ter noção, para o Batman dar uma olhadinha de rabo de olho ele tinha de girar o corpo 180 graus. Contraditoriamente, enquanto o uniforme apertava todas as juntas e articulações de Keaton, a máscara sambava em seu rosto mais do que a rainha da bateria de uma escola de samba. Outro ponto (que não é tão negativo assim) é a mudanças na história original do Batman (aquelas licenças poéticas dadas em adaptações), onde mostrava que Jack Napier (personagem que logo transformaria em Coringa) foi o assassino dos pais de Bruce Wayne (“Você já dançou com um demônio sob a luz do luar?”). Mas como eu disse, essa última é bobagem, só é problemas para os fãs mais xiitas.

batman_1989_2Agora os pontos positivos são melhores. O tom obscuro, no melhor estilo dos quadrinhos de Neal Adams, foi um atrativo à parte e encheu os olhos de qualquer fã. As batbugigangas não extrapolaram o estilo que o filme impunha (logo, sem batescudos ou coisas do gênero) e o design do batmóvel era genial! A contratação de Jack Nicholson para viver o Coringa mostrou a todos como o Palhaço do Crime poderia ser fielmente passado para as telas sem perder o sarcasmo, as palhacices e claro, sua violência lunática (Nicholson deixou claro que, se fizessem um novo Coringa, seria muito difícil bater sua atuação, isso foi provado mais tarde que seria sim possível, mas todos sabem o quando o eterno Coringa estava certo ao dizer que não seria fácil). Para finalizar, ressalto Kim Basinger, que deu vida a Vicki ValeBilly Dee Williams (o Lando Calrissian da série clássica de Star Wars) que viveu o promotor público Harvey Dent.

Nota de nerd chato que conta os finais dos filmes: O Coringa morre!

Batman: O Filme” já mostrou características que seriam seguidas até o final da série nos anos 90 (talvez inconscientemente): Os atores protagonistas não eram convincentes, os vilões tinham sempre mais destaques (talvez a culpa seja dos próprios atores ou até mesmo dos roteiristas) e atrizes eram sempre gostosíssimas (sejam como vilãs, par amoroso ou heroínas, não tinha uma baranguinha, o Batman era quase um James Bond das adaptações, um rapazote garanhão rodeado de mulher boa).

 

Mas agora, esconda-se em sua casa, prepare-se, não confie em ninguém, não olhe para o lado, tranque-se no porão e não saia, pois a cidade de Gotham está sendo invadia por… por… é… por pinguins. Antes que você comece a rir, esses não são meros pinguins. Não! São pinguins kamikases… Sim! Centenas, milhares desses horrendos e amedontradores pinguins kamikases, que voarão (eu sei que pinguim não voa, isso é licença poética) para a morte portando poderosos foguetes em seus lombos!

batman_returns_1Parece brincadeira minha, mas isso que eu escrevi acima é a descrição (com meu cunho humorístico idiota, é claro) de umas das cenas finais do filme “Batman: O Retorno” de 1992.

Ok. Já estraguei a visão do filme, né? Mas mesmo com essa desnecessária cena de “ação” a continuação do “Batman: O Filme” está acima da média dos filmes de adaptação de quadrinhos.

Dirigido novamente por Tim Burton, vemos em “Batman: O Retorno” a volta do tom gótico presente no primeiro filme misturado a todas as características manifestas do diretor, essas que ele não implantou no filme batman-returnsde 1989, talvez por ser o primeiro da franquia. Parecidíssimo com “Edward Mãos-de-Tesoura” o segundo filme do Homem Morcego fala muito sobre preconceito e rejeição, e a vítima de todos esses sentimentos mundanos é o vilão Pinguim (vivido por Danny DeVito). Diferente dos quadrinhos, aqui, Oswald Cobblepot é uma espécie de mutante, nasceu completamente deformado, fazendo com que seus pais, diplomatas, o abandonasse no esgoto ainda quando bebê. O pequeno Oswald é criado por pinguins (eita nóis!?), e depois de crescidinho, sai à tona chegando a concorrer a prefeitura da cidade. Destaque para seu patomóvel e para diversidade de guardas-chuvas, que vão de metralhadoras até mini-helicópteros.

E se um vilão já seria problema, esse filme tem dois! Rufem os tambores, pois ela: Michelle Pfeiffer veste uma roupa de coro coladíssima, ronrona, fala miau (da forma mais excitante possível), dá chicotada e arranha. Sim, ela é a Mulher-Gato (ah, e que mulher)! O sonho de qualquer homem fetichista… Seu uniforme tornou-se sensação das Sex Shops.

catwomanO “grande” Michael Keaton volta na pele de Bruce Wayne/Batman. O uniforme vem com umas mudanças: ajeitaram o símbolo e deixaram com UM POUCO mais de mobilidade, mas bem pouco mesmo, o maninho ainda parece o Robocop, mas pelo menos agora, a máscara não samba mais em seu rosto. E por falar na máscara, saca só no final do filme, quando nosso herói tenta tirar essa coisa da cara; puxa, repuxa, e quando finalmente consegue, ele a rasga! Meu, agora imagina só o gasto maldito que a produção teria: Sempre que fosse tirar a máscara para, sei lá, coçar a sobrancelha, Keaton teria de usar uma nova. E detalhe, a máscara é uma peça única com a capa, logo, ele teria muito trabalho ao se trocar. Acho que o bom e velho colante seria mais prático.

E tão inevitável quanto 1 mais 1 ser 2, “Batman: O Retorno” segue aquele esqueminha: Protagonista que não convence, vilões que ganham mais destaque (interpretados por Danny DeVito e Michelle Pfeiffer não poderia ser diferente), com uma atriz gostosíssima e, claro que não poderia faltar, o herói fala “I’m Batman”!

Semana que vem, saio da “Era Burton” e entro na mais sombria, ou melhor dizendo, na mais colorida Era dos filmes do Batman.

Um comentário em “DC/A.C. – BATMAN, PARTE 2

  • 12 de novembro de 2009 em 13:57
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    Valeu pelo elogio, Chico!!!

    Resposta
  • 31 de dezembro de 2009 em 20:51
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    Estava procurando uma imagem em jpeg sobre o filme de 1989 quando deparei com seu blog e sem ter muito o que fazer vim dar uma olhada.
    O texto tá legal, porém você foi muito equivocado nas opiniões sobre os dois primeiros filmes.

    Faça a lição de casa direitinho sobre os detalhes da pré-produção, roteiro, como foi quase impossível o primeiro Batman Burton ir para as telonas e o mega sucesso que foi, para depois sair dando opiniões na base do achometro.

    Falar sobre o filme e não detalhar como o batsuit foi feito, o batmóvel, o trabalho de fotografia em plena londres no inverno nas filmagens. O amigo sabe que um dos cotados pra ser o Batman desde o final dos 70 era o Al Pacino?

    Que qdo escolheram o Keaton até o Wall Street jornal falou que seria um fiasco? queria qual outro ator moreno em final dos anos 80 pra dar vida ao Batman? Tom Cruise? O fundamental do Batman / Wayne é ser um cara totalmente comum que ninguém desconfiaria que seria o homem morcego. Sinceramente não vejo nada demais nos filmes do Nolan, parecem os Hellboy, muita ação e detalhes zero….vejamos se daqui 10 anos terá alguma clássica como dos dois primeiros filmes do Burton,

    Enfim esperva um tópico mais profissional. pq o amigo se diz fã de Batman tô vendo que é mais uma viúva do 10 coisas que odeio em vc.
    Saudações

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  • 7 de Janeiro de 2010 em 10:39
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    Fala, Jam!

    Obrigado pela crítica, ela está devidademente anotada.

    Mas fico triste em ver que você não entrou no clima da coluna, minha intenção é fazer piadas e divertir dentro dos assuntos de adaptações.
    Como colunista conseguiria fácil esmiuçar a produção de qualquer filme e especificar como foram as pesquisas para figurino, fotografia, cenário, etc, mas essa não é minha intenção, como disse só quero me divertir e divertir os leitores que aceitam essa diversão.
    Mas, o que posso fazer, não dá para agradar à todos, certo?

    Feliz Ano Novo, Jam!
    Abraço

    Resposta

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