DC/A.C. – MULHER-MARAVILHA

Decreto a todos que estão lendo essa coluna que EU CANSEI!!! Isso mesmo CANSEI!!! Não aguento mais falar de super-heróis, homem de colante com cueca em cima da calça ou músculos de borracha. Como um bom rapazote reivindico a minha vontade de falar das super-HEROÍNAS! Mas as antigas adaptações eram desprovidas de mulheres como principal, e a única meninota que usa colante a ganhar vida foi a Mulher-Maravilha.

Atualmente Mulher-Maravilha é sinônimo de Lynda Carter, a morenaça que fez os sonhos de muitos garotões na década de setenta, mas enganado você se acha que houve apenas uma adaptação da Amazona.

WW1967Lá atrás, em 1967, William Dozier (o mesmo produtor da série do barrigudinho Batman de 1966) fez dois pilotos de séries com heroínas como principal. Uma delas foi a, já comentada, Batgirl. O piloto durava apenas 7 minutos e a série acabou não vingando (erradamente no Post sobre as séries do Batman, havia dito que o piloto tinha 15 minutos. Para compensar a falha, no final da coluna vou deixar o piloto para você dar uma olhadinha, infelizmente está em inglês… sorry). Porém, todos sabem que, mesmo não ganhando uma série solo, a personagem foi introduzida no seriado do Homem Morcego durante a terceira temporada e, mais futuramente, nos quadrinhos.

A segunda tentativa foi com a Guerreira Amazona, com um pilotinho mequetrefe de cinco minutinhos, protagonizado por Ellie Wood Walker e Linda Harrison (respectivamente Diana Prince e seu alterego Mulher-Maravilha, com uma carinha de anjo bacanona!). Mas logo no começo do vídeo, quando Diana cai de uma poltrona no melhor estilho Didi Mocó e os Trapalhões, dá para perceber porque a série não vingou. Repare atentamente que da mesma forma que Batman e Robin apareciam vestidos magicamente na Batcaverna após descerem por aquele cano de bombeiro, a Mulher-Maravilha também se vestia tão magicamente quanto, apenas por passar por uma passagem secreta na sala. E não parava por ai… grande parte do piloto ela fica se olhando no espelho, fazendo poses, enquanto se via com aquela samba-canção azul com estrelinha.

O ponto máximo é o momento que ela alça voo, a sonoplastia deixa a coisa mais ridícula ainda.

 

ww 1974_2Com o fracasso de mais uma série de William Dozier, a Mulher-Maravilha só deu as caras novamente nas telinhas em 1974 com uma roupagem completamente diferente.

A ideia agora era similarizar a Princesa Amazona com a as séries e filmes de espionagem que apareceram aos montes no começo da década de 70. Então, Diana Prince era na verdade a secretária do agente (eita nóis!) Steve Trevor (Kas Garas) que havia sido contratado pelo governo para recuperar uns documentos roubados pelo ex-agente Abner Smith (Ricardo Montalban). O que Trevor não sabia é que sua secretária era na verdade a superespiã (vixe maria!) Mulher-Maravilha. Ok, a coisa tá ficando meio estranha, né? Calma que piora. Além de todas essas mudanças na origem da heroína ainda mudaram todo o uniforme dela (um vestidinho vermelho que não lembrava porcaria nenhuma) e colocaram uma atriz loira para fazer o papel (a sem sal e nem açúcar Cathy Lee Crosby). Isso mesmo! O símbolo da amazona guerreira e morena foi destroçado. E nem vou focar o fato dela não ter superpoderes, porque, na altura do campeonato, isso nem importa mais.

 

Mesmo com o fracasso do piloto de 74 a Warner percebeu que a Mulher-Maravilha tinha potencial com os fãs e correram com a produção de um novo episódio piloto para uma nova tentativa de série da heroína, mas agora, fiel aos quadrinhos.

ww 1975O novo longa estreou nas telinhas em novembro de 1975 com o nome de “The New Original Wonder Woman” e diferente do filme da loira Crosby essa “nova” Mulher-Maravilha agradou os fãs, tornando-se um sucesso e dando partida a, então esperada, série da Guerreira Amazona.

O longa se passa durante a Segunda Guerra Mundial onde o piloto americano Steve Trevor (Lyne Waggoner) é abatido por um avião nazista e cai na Ilha Paraíso, lar das Amazonas. Trevor explica sobre a guerra e a rainha Hipólita decide enviar sua mais habilidosa guerreira para auxiliar os Aliados (menos Américo-patriota impossível, né?). Uma competição no estilo “Jogos Olímpicos” é criada e a Princesa Diana (a ainda desconhecida Lynda – e realmente LINDA – Carter) sai vitoriosa. Ela recebe então o Cinturão do Poder, os Braceletes Protetores e o Laço Mágico Dourado para ajudar na sua “luta contra o mau”.

A similaridade com os quadrinhos é inegável, a única coisa que não estava lá (mas não fez a mínima falta) foi a conexão com os deuses mitológicos. De resto tínhamos o uniforme caracterizado perfeitamente, os poderes, as armas, até o misterioso avião invisível (me pergunto como a Mulher-Maravilha conseguia achá-lo… mero detalhe), e o mais importante, a atriz era morena… ah, rapaz, e que morena!ww 1975_3

Voltando a história, ao chegar aos Estados Unidos a Princesa adota a alcunha de Diana Prince, secretaria de Steve Trevor, e para se transformar na super-heroína ela dava charmosas rodadinhas em torno de si mesma. Rodadinhas essas que, com o passar dos episódios da série, foram ganhando uns efeitos meio toscos de luz e explosãozinhas. Mó fofo… (Ah… que saudade do Lago dos Cisnes).

E não pense que a vida da Mulher-Maravilha foi fácil, durante o longa suas proezas vão a impedimentos de assaltos, lutas contra agentes corruptos e nazistas disfarçados, até a confrontos com um coronel nazista que queria bombardear o EUA (muito criativo).

O longa deslanchou e em 1976 estreia a série “Mulher-Maravilha”, munida do mesmo elenco.

A primeira temporada foi praticamente um repeteco ampliado do longa: aventurazinhas, alguns nazistas, umas briguinhas aqui, umas porradinhas ali, os olhares de amores platônicos entre Diana e Steve.

ww 1975_2Na segunda a coisa começou a ficar diferente (eles tinham que estragar), a história foi situada nos tempos atuais ( que na época era 1977) e Diana Prince era uma agente da CIA (essa história de espionagem de novo não!!!) e seu superior era Steve Trevor Jr., rapazote que, como seu pai,  nutria um amor incondicional por Diana e, ao mesmo tempo, pela Mulher-Maravilha, sem saber que as duas eram a mesma pessoa (e olha que para se disfarçar Diana só usava um óculos e penteava o cabelo diferente… essa é a conhecida síndrome de Clark Kent).

Houve também uma pequena mudança no uniforme, nada de mais, a águia no peito foi modificada e o seu calção tinha menos estrelas. Mas me recuso em falar do uniforme aquático (ô coisa desnecessária)!

 

Moral da história: a série foi cancelada na terceira temporada em 1979. É… eles tinham que estragar…

Ah… aqui está o prometido vídeo da Batgirl (com as participações de Adam West, como Batman, e Burt Ward, como Robin):

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