DC/A.C. – SHAZAM!

Opa, DC/a.C. está chegando ao final. Falta falar de apenas dois personagens que tiveram adaptações para o cinema e televisão. E hoje já fecho sobre um deles. Ele é rápido, usa um uniforme vermelho e tem um raio como símbolo. Não, não é o Flash, falei do velocista semana passada. Sobrou quem? Sim, o cara que grita: SHAZAM! – KARACABRUMMMMMMMMMMMMMM – o Capitão Marvel. O plágio do Superman mais bem sucedido da história.

captainmarvel-tomtylerTudo começou em 1941 quando a Republic Pictures enviou para a DC Comics (que na época se chamava Natinal Periodical) uma proposta para produzir uma série do Superman. A DC recusou, e já que a Republic já tinha gastado dinheiro com roteirista ela mandou essa mesma proposta para Fawcett Comics, concorrente da DC que tinha os direitos do personagem Capitão Marvel. A Fawcett aceitou e fomos presenteados com uma das melhores séries da época.

Lançada diretamente nas matinês dos cinemas, The Adventures of Captain Marvel teve 12 episódios. E não economizaram em efeitos especiais, tinha explosões (representáveis para a época) sempre que o jovem Billy se transformava no Capitão e muita, muita, muita cena de voo, onde geralmente o ator era substituído por um boneco (hehe).

A história começa com um grupo de arqueólogos numa expedição ao Vale das Tumbas, no Sião, onde a Dinastia do Escorpião foi enterrada, e que eles esperavam que tivesse uma porrada de tesouro escondido. Mas eles encontram algo melhor, um ídolo, em forma de escorpião, que transforma todo tipo de pedra em ouro (tipo um Midas aracnídeo). Todo mundo sabe que sempre, nessas histórias, quando mexem em algum objeto numa tumba dá merda. E deu! Todos ficaram presos. Na tentativa de sair, Billy Batson (o jovem operador de rádio da equipe vivido por Frank Coughlin Jr) achou uma câmara secreta habitada por um barbudo (eita), mais conhecido nas quebradas como o Mago Shazam.captainmarvel-tomtyler_2

O velho concede ao garoto o poder dos Deuses (aquela velha história, o menino grita Shazam! e recebe os poderes de Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio, transformando-se no Capitão Marvel) para evitar que o ídolo caia em mãos erradas, mas como eu disse, sempre dá merda, e o vilão Escorpião (afe Maria, quanto escorpião na história) rouba o ídolo. Cabe ao Capitão Marvel (vivido pelo veterano em filmes de faroeste Tom Tyler) perseguir o vilão (com um uniforme a lá Ku Klux Klan – repararam que muitos vilões da época usavam uniforme similar?) e tomar o “escorpião Midas” dele.

A série foi extremamente bem feita para época, deixando os seriados do Batman no chinelo. Diferente do Homem Morcego as cenas de lutas eram boas e os cortes nas edições eram bem feitos, sem contar o roteiro que era clichê, mas cabia para a década de 40.

Ah, e tenho certeza de uma coisa, se Chuck Norris é o que é hoje foi devido a forte inspiração da série do Capitão Marvel, pois o cara metia bala mesmo! Desde nativos no Sião até os meliantes, sem clemência. E se não tinha arma ele jogava de pontes ou arremessava contra paredes da forma menos sutil possível. E se você acha que isso era consequência dos poderes de Shazam, não se iluda, pois até o jovem Billy Batson metia bala na bandidagem. É… com o Capitão Marvel, bandido bom era bandido morto!

 

Poderia parar por ai, né? Tava tudo bacana com uma série quarentista bem feita, para que continuar? Mas continuaram… depois de trinta anos fora das telas o Capitão Marvel estava de volta, e toda essa demora foi devido a fatos judiciais, a DC teve uma ligeira briguinha com a Fawcett e no final acabou comprando o direito do super-herói.

Bem, se você quiser dar por encerrado esse assunto e ver receitas da Ana Maria Braga eu não vou ficar chateado, de verdade, com certeza vai ser mais interessantes…

Bem, eu avisei:

shazamO novo seriado do Vermelhão estreou em 1974 e diferente do anterior que era “sangue-nos-zoios” esse era cheio de moral e o máximo de dificuldade que Marvel tinha na história era dar sermão em um monte de moleques catarrentos e briguento. E por falar em moleque catarrento, Billy Batson foi vivido por Michael Grey, rapazinho com uma cara de argentino folgado que dá raiva, daqueles que, se eu fosse pai, bateria só pelo fato do moleque ter acordado. Cada vez que ele entrava em cena você rezava para ele gritar Shazam!, mas ai aparecia Jackson Bostwick, o Capitão Marvel, e você se arrependia de ter ouvido o grito do jovem Batson e desligava a televisão. Jackson tinha umas costeletas no melhor estilo Elvis Presley (provando que Elvis não morreu, e sim, cortou o cabelo em forma de penico e tornou-se um super-herói com os poderes de seis Deuses… bem, eu acredito) e uma perfeita encenação, poderia ser facilmente substituído por um boneco de posto de gasolina (teria até mais desenvoltura).

Na segunda temporada (sim essa joça durou mais de uma) o Jackson foi substituído por John Davey, que conseguia ser pior do que Bostwick na interpretação e na cara de idiota.

E não para por aí, o mais absurdo era que Billy tinha um mentor (Les Treymayne), um velho com cara de safado que vivia sozinho com ele num trailer (ahhhhh… garotão) e sempre falava sobre lições de moral e essas coisas chatas. Por falar no trailer era lá (sim, lá dentro!!!!) que os Deuses apareciam para entrar em contato com o pequeno Billy, com uns efeitos especiais no melhor estilo dos desenhos da Filmation da época. A série durou três temporadas (um total de 28 episódios), sendo cancelada em 1976.

Mas antes da série ser cancela, em 1975 um Spin-off dividia o horário com o Capitão Marvel, se você não lembra, revitalizarei sua memória falando da Poderosa Ísis.

A personagem foi criada diretamente como coadjuvante em um episódio para a série do Shazam! e depois de uma boa aceitação do público ganhou um seriado próprio que fazia mais sucesso do que o do Vermelhão.

isisA história (muito parecida com a do Capitão Marvel, por sinal), mostrava Andrea Thomas (a boa JoAnna Cameron), uma professora de ciências metida a arqueóloga, e sempre que tinha um tempo livre dava um pulo em uns sítios arqueológicos para, você sabe, matar o tempo nas horas vagas (parque de diversão e cinema nem pensar, nas suas férias vá a um sítio arqueológico). Ela acaba achando uma caixa contendo um amuleto que lhe concedeu o dom de ler os hieróglifos presentes na mesma caixa. Aquilo nada mais era do que palavras mágicas que lhes deram poderes, sempre que ela pronunciava a frase “Poderosa Ísis” transformava-se na… é… Poderosa Ísis, ora.

Agora me fala, só o tempo que você ia perder para tomar fôlego e gritar P-O-D-E-R-O-S-A-Í-S-I-S já teria levado um tiro e morrido. Não era mais fácil gritar só “Ísis” ou então “Shazam!” mesmo… poxa, muito mais prático. Mas não é o pior, para voar ela sempre falava “Oh! Zephyr que comanda o ar. Erga-me para que eu possa voar”. Já deu pra perceber que ela não voava muito, né?

Mesmo com um bom público, Poderosa Ísis foi cancelada logo após a série do Capitão Marvel, em 1977, durando duas temporadas (22 episódios). Mas não demorou muito a personagem foi introduzida nos quadrinhos (algo similar aconteceu com a Batgirl, lembra?), sendo que mais recentemente foi peça importante na série semanal 52 (aqui no Brasil sendo lançada pela editora Panini em uma maxissérie de 13 números).

Ah, não acabou, não. Em 1979 o Capitão Marvel volta (na pele de Gartret Craig) nos dois especiais para televisão The Legends of the Superheroes, mas já falei disso semana passada e peloamordeDeus, não toco mais nesse assunto.

Um comentário em “DC/A.C. – SHAZAM!

  • 18 de dezembro de 2009 em 17:23
    Permalink

    Hahaha. Eu era DOIDO pelo seriado do Shazam a cores quando era pequeno. Não sei qual emissora passava. Já a Poderosa Ísis foi a heroína de infância de minha mãe (eu nunca pude assistir)! Nostálgico! Hahaha

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