DC/A.C. – SUPERMAN, PARTE 2

A fuçação pelo passado das adaptações de um dos super-heróis mais conhecido da história continua. Semana passada mostrei que a década de 40 foi bem produtiva para o Superman com uma rádio-novela, que durou mais de 10 anos, e duas séries para cinema “Superman” e “Atom Man VS Superman”. Agora está na hora de vermos o primeiro grande ator a interpretar o Homem de Aço e também uma das adaptações mais vergonhosas.

Vou começa pela coisa boa: Após os ano 1940 era mais do que certo que logo o Azulão ganharia o seu primeiro longa metragem. E foi isso que aconteceu em 1951 com a estreia do filme “Superman and the Mole Men”. Um recorde! Não ficaria impressionado se o filme fosse do Flash, pois ele foi gravado em apenas 12 dias (ha-haaaa, piada infame). Curtinho também era a sua duração, apenas 58 minutos, mas foi o suficiente para aclamar um jovem ator, o ainda desconhecido George Reeves (que fez uma pontinha em “E o Vento Levou”) que substituiu Kirk Alyn no papel principal de Clark Kent/Superman.

Reeves era muito mais parecido fisicamente com o Superman dos quadrinhos do que Alyn. Sabe, aquele queixo quadrado, postura de bom samaritano, uma cara de bobo que deixava o reporte Clark Kent perfeitamente caracterizado.

A repórter Lois Lane também foi vivida por outra atriz, Phyllis Coates dava vida ao par romântico do Escoteiro. E de personagens conhecidos foram só esses, o filme trouxe uma cacetada de personagens novos e de atores sem nada muito importante no currículo.

O filme dava um belo destaque as investigações jornalísticas de Lois e Clark, coisa que não acontecia nas séries para cinema de 1948 e 1950, além da presença garantida dos anõezinhos carecas… os Mole Men, os pais dos Lumpa Dumpas (nem tudo era perfeito, ok?)

 

O que muita gente não sabia era que “Superman and the Mole Men” era a ponta de algo muito maior. O filme na verdade era um piloto de uma série que estava em produção, “Adventures of Superman” o primeiro seriado para televisão do Último Filho de Krypton, que levou o ator George Reeves a um patamar jamais imaginado.

A estreia foi no dia 19 de Setembro de 1952, a série teve conceitos baseados nos quadrinhos que acabou não aparecendo em seu episódio piloto, como a participação dos personagens Perry White (John Hamilton), editor do Planeta Diário, e do jovem fotógrafo Jimmy Olsen (Jack Larson). Phyllis Coates voltou no papel de Lois Lane, mas não por muito tempo, a partir da segunda temporada Noel Neill (a Lois dos seriados para cinema de 1948 e 1950) voltava a interpretar a repórter. Já no quesito vilões, todos foram criados diretamente para o seriado, logo, não tivemos a presença do careca Lex Luthor, sendo substituído por cientistas do mal, agentes russos, empresários corruptos, entre outros vilões “comuns”.

“Adventures of Superman” pode ser dividida em duas etapas. A primeira (entre 1952 e 1953), onde a série ainda era em preto e branco, teve duas temporadas, somando 52 episódios. A partir de 1954 a série passou a ser colorida (no uniforme do Super o branco transformou-se em amarelo, o cinza em azul e o preto em vermelho), com mais três temporadas, totalizando assim 104 episódios. Com o último exibido em 28 de Abril de 1958.

A sexta temporada chegou a ser parcialmente roteirizada, mas nunca saiu do papel, isso porque no fatídico dia 19 de Junho de 1959, Reeves foi encontrado morto, baleado. E até hoje não se sabe ao certo se foi suicídio ou assassinato.

George Reeves foi tão importante para a mitologia do herói que durante as décadas de 50, 60 e 70 se você falasse no nome Superman era impossível não imaginar a figura de Reeves. Um ator que imortalizou um ícone… ou seria o ícone que imortalizou o ator?

Adendo: Se você tem curiosidade de saber um pouco mais sobre a misteriosa morte de Reeves dá uma olhada no filme biográfico “Hollywoodland” (2006). Ele conta a história de Louis Simo (Adrien Brody), um dos detetives que investigou a morte de George Reeves (interpretado por Ben Affleck, que chegou a ser indicado para o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante depois dessa atuação).

 

Ajeite a cara de choro, camarada, pois em contraponto a um dos momentos mais importante da trajetória do Superman na televisão e cinema, mostrarei agora o momento mais inútil, mais vergonhoso. Aquilo que todos querem esquecer. O piloto da série “The Adventures of Superpup”, de 1958.

Antes de começar pergunto: o que eles estavam pensando quando fizeram essa porcaria? Uma coisa é ter ideia, sei lá, tem tanto roteirista estranho no mundo, achar um que tenha tara por cachorro não deve ser difícil. Mas o pior foi uma produtora aceitar o projeto, contratar atores, gastar dinheiro com cenário, figurino e (d)efeitos especiais PARA GRAVAR ISSO!!! Tinha tanta coisa mais bacana pra fazer, tipo, sei lá, adestrar pulgas para um circo… certeza que seria mais lucrativo do que essa tentativa frustrada (e você chegou a pensar que uma coisa dessas daria certo?) de fazer uma série.

Se você era fã de TV Colosso vai adorar esse piloto, pois ele nada mais é que uma versão “super-heroizada” desse programa que agitava as manhãs da garotada na década de 90 (não vou mentir, eu assistia… e gostava). Imagine se Priscila e sua matilha de amigos vivesse numa cidade a lá Metrópolis onde um vira-lata era o herói Superman –- ops, perdão –- Superpup. Deu no que deu, não passou de um piloto (graças a Deus).

Isso me faz pensar: será que Reeves não se matou de desgosto após ver o que fizeram com o personagem que era praticamente a vida dele? Não duvido…

O negocio é tão tosco que vou até postar as duas partes do vídeo (esse merece). Detalhe, repare que a partir do minuto 9:51 (do primeiro vídeo) o piloto fica preto e branco. Provavelmente queriam economizar um pouco com a película.

 

Para finalizar, foco mais uma tentativa de série que não saiu do piloto. Mas essa não era tão (ressalto, eu disse TÃO) ruim.

Se você acha que a série “Smallville” é original porque conta o passado de Clark Kent antes de se transformar em um herói, faça-me o favor! Essa ideia é velha! É tão velha que em 1961 tentaram dar início a um seriado que mostrava as aventuras do jovem Clark ainda na cidade de Smallville como o herói Superboy (uma espécie de prólogo para o seriado de Reeves).

“The Adventures of Superboy”, além do piloto, teve mais 12 episódios escritos, porém nunca filmados. A série foi logo indo para a mesma gaveta onde se encontrava “Superpup”. No seu elenco tinha o sósia mirim de George Reeves, John Rockwell (como Superboy/Clark Kent) e Bunny Henning dava vida à Lana Lang.

Quem quiser conferir tem o piloto na integra no Youtube, vou deixar só um trechinho aqui.

Um comentário em “DC/A.C. – SUPERMAN, PARTE 2

  • 27 de Janeiro de 2010 em 10:38
    Permalink

    George Reeves, primeiro grande ícone na história do Super nas telas!
    Aqui no Brasil saiu só a primeira temporada do Adventures of Superman em DVD, apesar de ja ter saído todas lá fora… será que vendeu tão mal assim que a Warner desistiu de colocar a venda o resto? Eu comprei e curti!
    Mas tava na pira de ver os episódios coloridos com qualidade DVD… acho que vou ter que importar.

    Quanto ao Superpup… vixe! Nem comento! ahahahahahaha

    Grande coluna, cara!
    Pesquisa excelente a sua, principalmente por anexar os vídeos!

    E agora a expectativa aumenta, com a aproximação do maior de todos: Christopher Reeve!

    Grande abraço!

    SUCESSO!!!

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