Wanted: O Procurado / Resenha

Wanted: O Procurado
Autores: Mark Millar (roteiro) e J.G. Jones (arte)
Editora: Mythos
152 páginas

Por Marcio Sampayo, do site parceiro Quadrim.

Sabe quando você quer convencer sua esposa “que essas coisas que você lê não são uma perda de tempo” ou quer provar para seus pais que histórias em quadrinho também são literatura ou até mesmo indicar uma boa oportunidade de entrada na nona arte para aquele seu colega de trabalho, indicando uma boa história em quadrinhos?

Definitivamente, Wanted não é o encadernado mais indicado para isso.

Na realidade, a melhor definição para Wanted é guilty pleasure, que em português podemos traduzir – não tão bem – como prazer secreto. É aquele chocolate que você guarda dentro da gaveta do escritório, aquela hora a mais que você fica jogando videogame depois que sua esposa foi dormir e que você sabe que vai te fazer falta na hora de acordar, a sensação secreta de prazer ao ver aquele desafeto ser despedido ou quando aquele amigo leva um chifre da namorada que era “muita areia para o caminhão dele”.

 

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Wanted não é um bom gibi. E não “bom” no sentido de bem escrito ou bem desenhado, mas no sentido que ele não tem uma boa mensagem, muito pelo contrário.

Wesley Gibson é a mais perfeita encarnação do loser americano. Sério, o cara é tão perdedor, mas tão perdedor, que tem a cara do Eminem. A namorada o trai com o melhor amigo. Ele é humilhado pela chefe em seu trabalho boçal, que ele odeia mais do que tudo. Hipocondríaco, sofre bullying dos vizinhos e de qualquer um que cruze seu caminho.

 

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Ele joga toda a responsabilidade por ser um perdedor no fato do pai tê-lo abandonado e ele ter sido “criado pela mãe para ser uma bichinha”, nas próprias palavras dele.

Tudo vai mudar no dia que ele descobrir que o mundo é secretamente dominado por super-vilões, seu pai fazia parte desse grupo secreto e foi recentemente assassinado e ele vai herdar toda a fortuna, desde que assuma os poderes que carrega secretamente em seu DNA e a identidade do falecido pai.

Obviamente surpreso com a descoberta, Wesley vai passar por um treinamento nas mãos de Fox, a ex-namorada de seu falecido pai, e pelas mãos do Professor, o líder dos super-vilões responsável pelo clã da América do Norte.

Partindo de uma premissa interessante – O que aconteceria se o mundo em que vivemos tivesse sido dominado pelos supervilões – Millar ignora a profundidade que o tema poderia oferecer, preferindo dedicar-se à exploração da ultra-violência e da falta de moral de seu protagonista, que ao se ver livre de qualquer amarra da sociedade, passa a matar, estuprar e torturar como modo de vida.

 

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A arte espetacular de J.G. Jones deixa tudo ainda mais próximo da realidade, até que os planos da Fraternidade – especificamente do vilão Mr. Rictus, que quer sair da “clandestinidade” e mostrar para todo mundo quem realmente manda – começa a dar rumos diferentes para a trama, transformando-a em mais uma estória clichê de bem contra o mal (Ou vilão contra vilão pior).

Millar não resiste em colocar menções a heróis e vilões do universo Marvel e DC dentro da sua estória (com muito mais peso para o DC) e a única “lembrança” que o Professor guardou de seu mais temível inimigo é justamente a capa do Superman (Outra participação marcante é de Adam West e Burt Ward, que acreditam serem apenas atores, apesar de terem sido realmente Batman e Robin).

 

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Millar começava aqui sua tendência de colocar plot twists questionáveis e também, infelizmente, sua fama de fazer “finais ruins”. O final de Wanted, particularmente, pode ofender os leitores mais sensíveis, mas ele não deixa de ter um fundo de verdade. A estória não é realmente para qualquer um, ela explora o lado negro do ser humano, tira sarro da nossa paixão por quadrinhos e super-heróis e te dá a sensação de ter feito algo desagradável quando você termina a leitura.

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Mark Millar escreve sua obra autoral pensando no cinema, e Wanted tinha um universo e uma estrutura PERFEITA para virar um filme. Infelizmente, Hollywood tem a tendência de entender tudo errado, pegou a estória, bateu no liquidificador, coou, jogou fora a metade do que sobrou e criou um filme com o resto.

A única coisa boa que sobrou foi Angelina Jolie, porque de resto, absolutamente NADA se aproveita.

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