Flex Mentallo / Resenha

Por André Faccas, do site parceiro Quadrim.

Olha, acho que essa é a resenha mais complicada que tive a oportunidade de fazer aqui para a Quadrim. A principio, nunca pensei que fosse fazê-la um dia, apesar de já tê-la lido mais de uma vez, há muito tempo trás. Mas confesso que fiquei feliz com a coragem da Panini em republicar Flex Mentallo por aqui, de maneira tão luxuosa.

Por que digo isso? Simples, é uma mini-série saída da participação do escritor Grant Morrison na série da Patrulha do Destino, uma das precursoras do selo Vertigo na DC Comics na década de 80, ou seja, o maior apelo do título seria apenas a presença da dupla criativa Morrison e Frank Quitely, os mesmos que décadas depois nos trariam All-Star Superman, aliás obras que possuem algumas similaridades.

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Flex Mentallo é um herói esquecido por todos. Nascido na Era de Ouro dos quadrinhos, em trajes de homem forte de circo, usava os poderes de seus “Músculos Mistério” para causar diversos efeitos, através da flexão de seus músculos, fazendo aquelas poses de halterofilistas em campeonatos, sabe? Sim, é bem bizarro explicando, como era o clima das histórias do Morrison na época. Mentallo também é assumidamente uma criação pouco original, sendo largamente inspirada em histórias de Charles Atlas, incluindo aí sua aura heroica de “Herói da Praia”.

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Mas voltando ao Flex, ele é um sobrevivente de uma realidade ficcional que sofreu com uma grande “Crise” e fora destruída. Lembram alguma coisa? Se não, é uma óbvia referência a Crise nas Infinitas Terras, assim como o próprio Flex Mentallo e a sua história de criação fictícia reflete um pouco do Superman. Não só ele, mas todas as suas referências lembram alguém conhecido do universo DC, traduzido sob a ótica bizarra Vertigo do Morrison e os traços já impressionantes de Quitely na época.

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A história começa quando Flex descobre que provavelmente ele não é o único sobrevivente da sua realidade, ao encontrar um antigo companheiro de combate ao crime conhecido como O Fato (similar ao Questão, por sinal). Paralelo a isso, conhecemos Wallace Sage, o homem conhecido por criar Flex Mentallo, como um jovem tomado por delírios causados ou não pela ingestão de drogas e é aqui que a leitura muda completamente.

Grant Morrison lançou recentemente um livro de memórias/história das histórias em quadrinhos chamado Superdeuses (que por si só, vale um Comenta, quem sabe?). Neste livro, o autor escocês traça a trajetória dos quadrinhos em paralelo com a sua própria trajetória de vida, combinando a leitura numa possível imagem de como Morrison enxerga os quadrinhos, qual sua ótica.

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Hoje, relendo Flex Mentallo, digo que ele já havia dito boa parte de suas ideias através da saga de Flex, sendo as parte de Wally Sage um reflexo de sua própria vida. Lembrando que este é o mesmo roteirista responsável pelo famoso encontro do Homem Animal com aquele que direciona seu destino, na época, ele mesmo, Grant Morrison. Óbvio que essa camada de entendimento é apenas para quem já leu Superdeuses, mas mesmo sem ela, é possível encontrar paralelos de Sage com Morrison e outros autores famosos.

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Em resumo, Flex Mentallo é uma publicação corajosa por parte da Panini. Os leitores esporádicos podem ler e simplesmente não entender nada. Nenhuma criança recém-saída do cinema vai comprar. Mesmo alguns leitores habituais podem torcer o nariz. Mas é uma grande análise da indústria, além de introduzir conceitos maduros a universos de super-heróis, coisa que tornou-se comum e padrão a partir do final dos anos 2000. Se alguém ainda duvidava da capacidade visionária de Morrison e da qualidade da arte de Quitely, Mentallo esta ai para provar.

Flex Mentallo
Formato Panini (18,5 x 27,5)
132 páginas.
R$ 45,90.
Papel Couché.
Capa dura.
Distribuição setorizada para bancas e nacional para lojas e bancas especializadas em HQs.
(Flex Mentallo 1 a 4)

Você pode comprar Flex Mentallo pelo site da Comix.

Um comentário em “Flex Mentallo / Resenha

  • 21 de março de 2015 em 23:35
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    Morrison é um dos melhores roteiristas da atualidade é só ver sua obra fantástica como os “Invisivéis”por exemplo!e eu sou muito fã do desenho do Quitely!

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