1986: Um Ano Único nos Quadrinhos

Vários fatores colaboraram para tornar 1986 um momento singular na história dos Quadrinhos nos Estados Unidos. Naquele momento a Marvel comemorava 25 anos, e a DC que 30 anos antes deu início a Era de Prata dos Super-Heróis, havia acabado de passar por uma reformulação radical com o recomeço de seu universo ficcional depois da saga Crise nas Infinitas Terras, iniciada em 1985.

A DC tinha um novo posicionamento em que entendia que era possível fazer histórias em quadrinhos para um público mais maduro. A editora já vinha tentando explorar uma fatia mais madura do público fazia algum tempo, por exemplo com o sofisticado Monstro do Pântano de Alan Moore, mas foi apenas graças a consolidação do mercado direto, lojas voltadas a venda de quadrinhos, que a ideia havia se tornado de fato viável.

Estas lojas, comic shops, viabilizaram toda uma experimentação nos quadrinhos, abrindo espaço para várias editoras independentes, que introduziram personagens como as Tartarugas Ninjas, primeiro grande sucesso exclusivo desses pontos de venda. Nas duas grandes, o advento dessas lojas abriu espaço também para a publicação de títulos e formatos que antes dificilmente seriam viáveis em bancas e outros pontos de venda. A DC já por muito tempo buscava recuperar o espaço perdido para a Marvel e estava mais aberta a tentar uma renovação que em grande parte já acontecia na reformulação de seus títulos após a Crise. No entanto a editora foi além.

A DC já havia tentado um novo formato com a publicação da mini-série Ronin, sobre um samurai reencarnado num futuro distópico, criado por Frank Miller. A publicação foi impressa em papel de melhor qualidade, além de usar cores mais elaboradas que os quadrinhos publicados pela editora na época. Assim, em 1986 a editora já tinha um histórico que possibilitou a publicação de duas histórias que foram verdadeiros divisores de água e que viriam influenciar profundamente os quadrinhos de Super-Heróis: Watchmen e Batman: Cavaleiro das Trevas.

Embora ambas as histórias não tenham ficado datadas com o passar dos anos, é inegável que ambas refletem a atmosfera da Guerra Fria, a constante tensão e risco de uma guerra nuclear entre Estados Unidos e União Soviética. As séries também têm em comum o debate sobre o monopólio do uso da força pelo Estado em realidades alternativas. A complexidade como estes e outros temas são abordados por Frank Miller e Alan Moore, não tem precedentes nas histórias de Super-Heróis, e para o melhor e para o pior elas acabaram por influenciar muito do que veio depois, em especial uma fase de personagens “atormentados” que invadiu as páginas dos gibis nos anos 1990. Posteriormente, tanto Watchmen quanto Cavaleiro das Trevas foram encadernadas e foram de fundamental importância para que as livrarias abrissem um espaço nos Estados Unidos para as histórias em quadrinhos.

Estas histórias já vêm sendo republicadas por anos, sempre conquistando mais leitores, mostrando que ainda são relevantes. São verdadeiros marcos que merecem ser lidos e relidos.

A Panini está relançando Batman: Cavaleiro das Trevas e Watchmen, ambas em edições definitivas cheias de extras em formato diferenciado já disponíveis na Comix. Cavaleiro das Trevas também traz a continuação da série, não tão marcante como a histórias de 1986, mas que ainda assim vale a pena ser conhecida.

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