[Resenha] A Balada de Halo Jones

Publicada originalmente no blog parceiro Impulso HQ


“Quem negará a importância de um gênero comumente negligenciado pelo esnobismo de certos observadores, quem nos convencerá de que um thriller não tem com a sociologia relações semelhante às do Western com a tragédia clássica?”

Acima coloquei um trecho da resenha do filme “Homens em Fúria” (Robert Wise-1959) por Antonio Moniz Vianna. Esse é um filme policial que conta a história de um assalto, mas fala de racismo, ambição e no impulso de autodestruição de toda a humanidade, ou seja, temas sempre atuais.

Nos quadrinhos Alan Moore sempre fez o mesmo que alguns diretores e roteiristas dos anos 40 e 50 fizeram no cinema, contaram alguma história qualquer, mas nas suas entrelinhas eles falam do homem, das suas mesquinharias, das suas grandezas, das suas misérias, política, guerra, amor, solidão e amizade.

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Há Halo Jones. Se Moore é conhecido por Watchmen, V de Vingança, Promethea, Monstro do Pântano, Liga Extraordinária e outros, antes disso tudo aconteceu uma de suas personagens mais marcantes e que hoje é cultuada, assim como na sua própria história. Se Moore realmente é um bruxo eu não sei, mas o público feminino pode agradecer ao “velho mago” por criar uma das primeiras personagens nos quadrinhos que podem representar o feminismo e a força de uma protagonista mulher.

Em HQs de terror ou ficção científica Alan Moore sempre fez comentário sobre a condição humana, ao contar a vida de Halo Jones, desde sua juventude até a maturidade, em um Século 50, em meio ao desemprego, violência, massificação, Jones fica entediada e decide conhecer a galáxia de todas as formas possíveis.

Sobreviver. É isso o que Jones tentará durante todos esses anos. Ela vai encarar de frente diversos desafios, inclusive uma guerra. Moore criou uma personagem com uma força poderosa, a força de uma mulher que quer criar a sua identidade e se guia por seus desejos.

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Essa série de ficção científica criada por Alan Moore que traz um futuro distópico ricamente detalhado pelos traços de Ian Gibson, foi originalmente publicada entre 1984 e 1986 na 2000 AD. Moore usa da poderosa força reflexiva da ficção científica para criticar um futuro distante situações que vemos no nosso presente. Difícil não comparar algumas das situações “absurdas” por que Halo passa sem analisar o que estamos vendo na TV hoje em dia.

Vale lembrar que A Balada de Halo Jones chegou a ser publicada no Brasil em 2003, pela Pandora Books, e agora chega às livrarias em uma luxuosa edição em capa dura pela editora Mythos. Esse retorno em grande estilo também é acompanhado por papel couché, um formato mais próximo ao original, um texto de abertura de uma página do Otávio Aragão, galeria de capas e biografias dos autores. De negativo, confesso que senti falta dos textos introdutórios que Moore produziu para cada livro de Halo Jones e que estão presentes no volume da Pandora.

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A Balada de Halo Jones é uma HQ para se divertir, assim como fizeram os leitores dos anos 80, mas também para refletir sobre um punhado de coisas que martelam nossa cabeça desde o tempo em que o homem morava em cavernas e que vão continuar, mesmo morando em naves espaciais ou planetas distantes.

9000000041356A Balada de Halo Jones
Editora Mythos
Edição especial – reúne as histórias originalmente publicadas em 2000 AD Progs # 376 a # 385, # 405 a # 415 e # 451 a # 466
Roteiro: Alan Moore
Arte: Ian Gibson
Tradução: Pedro Bouça e Daniel Lopes
Capa dura
18,7 x 25,9 cm
208 páginas
R$ 69,90

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